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domingo, 6 de julho de 2008

INTERNACIONAL / G-8

Incertezas sobre economia global dominam G-8 no Japão
Correio Braziliense - 6/7/2008
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa da reunião do G-8, nesta semana, no Japão, armado de duas mensagens: ao tratar da inflação, vai oferecer a produção agrícola brasileira como parte da solução; ao criticar a especulação em torno dos preços do petróleo e das commodities agrícolas, vai apontar um dedo acusador para as sete nações mais ricas e cobrar mecanismos para evitar que o mundo em desenvolvimento pague mais uma vez o preço de uma crise originada nos mercados financeiros centrais.
Amparado pelos chefes de Estado do G-5 (Brasil, África do Sul, China, Índia e México), além do apoio prévio dos presidentes da América do Sul, Lula será uma espécie de porta-voz dos países que foram as principais vítimas das crises do petróleo, nos anos 70 e 80, e das dívidas, que se sucederam na segunda metade da década de 90.
A cúpula do G-8, na terça e quarta-feira, em Hokkaido, ocorre num momento crítico da economia mundial. Terá na pauta a escalada do preço do petróleo, que bateu na casa dos US$ 146 por barril na semana passada e poderá alcançar US$ 200 por barril até o fim do ano, conforme análise do Banco Mundial (Bird). O encontro de Hokkaido se concentrará também no aumento dos preços internacionais dos alimentos e a conseqüente ameaça de disparada da inflação.
Ontem, milhares de pessoas protestaram contra a reunião do G-8. Quatro manifestantes foram presos.Os líderes do G-8 terão de decidir a proposta de criação de um fundo de US$ 10 bilhões, pelos países mais ricos, para financiar projetos que ajudem a estancar o aquecimento global nos países em desenvolvimento. Ao tocarem nesse tema e na questão dos preços dos alimentos, o biocombustível, inevitavelmente, voltará ao centro dos debates.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

BLOCO ECÔNOMICO/ Mercosul

Cúpula do Mercosul

Próximos passos da integração
Dirigentes dos quatro países do bloco se reúnem na Argentina para discutir acordo comercial com a Europa e adesão plena da Venezuela

Viviane Vaz
Enviada especial

Correio Braziliense - 30/6/2008

San Miguel de Tucumán — A capital da província argentina de Tucumán recebe os líderes do Mercosul para sua 35° Cúpula. Hoje se reúnem os ministros de Economia e presidentes dos Bancos Centrais dos países do bloco, e amanhã será a vez dos chefes de Estado e governo, assim como dos ministros de Relações Exteriores. A cidade é conhecida como o “jardim da República”, terra onde foi declarada a independência da Argentina, em 9 de julho de 1816. Mas nem tudo são flores no cenário que se apresenta aos representantes sul-americanos. Temas internos, como a adesão da Venezuela como membro pleno, e externos, como o acordo comercial do bloco com a União Européia (UE), prometem polarizar o encontro.

O Mercosul, integrado por Argentina,Uruguai, Brasil e Paraguai — a adesão da Venezuela depende de ratificação dos dois últimos —, enfrenta algumas travas para finalizar o pacto com a UE. Os sul-americanos alegam que os termos propostos pelos europeus são “desequilibrados”, já que não abre o mercado agrícola do Velho Continente. Assim, para ampliar as oportunidades, o Mercosul tenta avançar em acordos com países de outras regiões. No Oriente Médio, o bloco já se associou a Israel, e agora negocia com o Marrocos e o Conselho de Cooperação do Golfo. Nesta cúpula, espera-se também o fechamento de um acordo de preferências tarifárias com a União Aduaneira da África Austral (Botswana, Lesoto, Namíbia, Suazilândia e África do Sul), assim como o início das negociações com a Jordânia e a Turquia. Os presidentes devem manifestar descontentamento com a nova lei da UE sobre imigração, que prevê deportação sumária e detenção por até 18 meses para estrangeiros em situação irregular.


O presidente uruguaio, Tabaré Vázquez, adiantou na semana passada que a declaração de Tucumán repudiará a medida recém-aprovada pelo Parlamento Europeu. O governante do Equador, Rafael Correa, opinou que a nova lei “demonstra a falta de civilização de países que se consideram os mais civilizados do mundo”, enquanto o presidente Lula disse que “o vento frio da xenofobia sopra outra vez”. A anfitriã, Cristina Kirchner, passará amanhã a presidência rotativa do Mercosul para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O Paraguai será representado pelo ministro de Relações Exteriores, Rubén Ramírez, e pelo presidente Nicanor Duarte, que não conseguiu renunciar antecipadamente para assumir uma vaga Senado — o sucessor eleito, Fernando Lugo, tomará posse em agosto. Estarão presentes também os presidentes dos países associados, como a chilena Michelle Bachelet e o boliviano Evo Morales. Correa, o colombiano Álvaro Uribe e o peruano Alan García não confirmaram presença, por problemas internos. Além disso, as relações entre Colômbia e Equador estão suspensas por Quito desde março, quando militares colombianos mataram em bombardeio, no território equatoriano, um dirigente das Forças Revolucionárias da Colômbia (Farc). México, El Salvador e Honduras são outros países latino-americanos que analisam sua incorporação ao bloco.


O México confirmou partipação na cúpula, representado pela ministra chanceler Patricia Espinosa. Unasul Ao final da cúpula do Mercosul, amanhã, outra reunião presidencial terá lugar em caráter extraordinário: a da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), que inclui todos os países do continente. A presidenta do Chile solicitou o encontro para tentar resolver assuntos que ficaram sem definição na última cúpula do bloco, realizada em maio, em Brasília. Um dos objetivos é encontrar um candidato para assumir a Secretaria Executiva do bloco. Nomes como os do ex-presidente argentino Néstor Kirchner e do economista boliviano Pablo Solón estão na lista.

domingo, 29 de junho de 2008

INTERNACIONAL / Zimbábue


Mugabe assume sexto mandato no Zimbábue neste domingo
BBC Brasil

A cerimônia de posse do sexto mandato de Robert Mugabe na Presidência do Zimbábue foi marcada para às 15h deste domingo, no horário local (10h da manhã no horário de Brasília) e os convites para o evento foram enviados aos convidados antes mesmo do anúncio do resultado oficial da votação.

Mugabe, disse ter garantido uma "vitória arrasadora" no segundo turno da eleição presidencial, realizado nesta sexta-feira, em que ele foi o único candidato.

O presidente afirmou que resultados da apuração dos votos mostram que ele venceu em todas as zonas eleitorais no reduto da oposição, a capital Harare.

"Os resultados mostram que estamos vencendo de maneira convincente, que nós vencemos em todas as zonas eleitorais em Harare, um reduto do MDC, onde nós tínhamos vencido em apenas uma zona em março. Esta é a tendência", afirmou Mugabe em uma transmissão apresentada pela televisão estatal.

Morgan Tsvangirai, o líder do Movimento Democrático por Mudança (MDC, na sigla em inglês), retirou sua candidatura do segundo turno da eleição há uma semana.

Mesmo assim, seu nome continuava constando das cédulas eleitorais na votação de sexta-feira, porque as autoridades eleitorais do Zimbábue se recusaram a aceitar sua decisão.
Reação internacional

O correspondente da BBC em Johannesburgo, Peter Biles, disse que Mugabe queria assumir o novo mandato antes de deixar o Zimbábue nesta segunda-feira rumo a uma reunião da União Africana no Egito.

De acordo com analistas, a reação dos vizinhos do Zimbábue no sul da África será crucial.
Um grupo de monitoramento do Parlamento Pan-Africano pediu ao chamado SADC (Comunidade de Desenvolvimento do sul da África) e à União Africana que facilitem conversas entre o governo e a oposição.

Já o ex-arcebispo da Cidade do Cabo, Desmond Tutu, fez um apelo para que a comunidade internacional intervenha no Zimbábue e utilize a força, se necessário.

Tutu afirmou que apoiaria o envio de uma tropa da Organização das Nações Unidas (ONU) para restaurar a paz no país.

Em uma entrevista à BBC, Tutu também disse que os líderes da União Africana deveriam se recusar a reconhecer Robert Mugabe como o presidente legítimo do Zimbábue.

"Se você tivesse uma voz unânime, dizendo claramente a Mugabe... você é ilegítimo e nós não vamos reconhecer sua administração de nenhuma forma - acho que seria um sinal muito, muito poderoso e fortaleceria bastante a comunidade internacional."

Muitos países e organizações internacionais criticaram o governo do Zimbábue por seguir em frente com o segundo turno da eleição presidencial.

Neste sábado, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, afirmou que vai pressionar para que a ONU tome medidas severas contra o que ele chamou de governo "ilegítimo" do Zimbábue.

Bush afirmou que quer uma proibição à exportação de armas para o país e a proibição de viagens para autoridades do governo do Zimbábue.

Negociações

Apesar de Mugabe ter dito que venceu com uma larga vantagem, observadores internacionais disseram que muitos votos foram invalidados e em algumas áreas o número deles era maior do que os votos para o presidente.

As autoridades eleitorais chegaram a informar que a contagem dos votos estava encerrada, mas os resultados das regiões rurais do país continuaram chegando.

O jornal estatal Sunday Mail traz em sua edição deste domingo a segunite afirmação: "Mugabe é um homem com uma tarefa e esta tarefa ainda tem de ser cumprida, por isso ele continua no cargo."

Em entrevistas publicadas em jornais britânicos neste domingo, Tsvangirai disse que vai pressionar por negociações com Mugabe para uma nova constituição e novas eleições.

"Nós temos o poder de controlar o parlamento e isto é reconhecido até pelo partido de Mugabe, o Zanu-PF... Nós temos de forçar um acordo de transição para um prazo e trabalhar por uma nova constituição para o Zimbábue", disse ele ao jornal Mail on Sunday.

"Estou confiante que nós podemos conseguir isso se a pressão internacional continuar grande."
Em outra entrevista ao jornal Sunday Telegraph, Tsvangirai disse que seria possível Mugabe permanecer como chefe de Estado cerimonioso.

"Não acho que seja inconcebível inclui-lo em um acordo, dependendo, é claro, dos detalhes do que está sendo proposto e qual é o acordo."

Mugabe ficou em segundo lugar no primeiro turno da eleição presidencial em março, perdendo para Tsvangirai.

De lá para cá, o partido do líder da oposição, MDC, disse que 86 de seus partidários foram assassinados e 200 mil foram obrigados a deixar suas casas pelas milícias leais ao partido governista Zanu-PF.

O governo culpa o MDC pela violência.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

INTERNACIONAL / Tibete

China reabre Tibete para turismo estrangeiro

Depois de três meses fechado à entrada de turistas estrangeiros por causa dos conflitos violentos que se espalharam pela região em março, o Tibete foi reaberto, nesta quarta-feira, para o turismo estrangeiro, afirmou a agência de notícias estatal chinesa Xinhua.

Em entrevista à agência, uma autoridade do turismo local afirmou que a região estava "segura" e que os turistas internacionais são novamente bem-vindos ao Tibete.

O governo chinês havia fechado o Tibete para o turismo estrangeiro depois que uma onda de conflitos violentos eclodiu em Lhasa, em 14 de março.

A decisão de reabertura da província foi tomada depois da passagem da Tocha Olímpica pela região, que ocorreu sem tumultos.

"O sucesso da passagem da tocha por Lhasa, há três dias, demonstrou que as bases da estabilidade social foi ainda mais consolidada", disse Tanor, subdiretor da Administração de Turismo do Tibete à Xinhua.

Além disso, uma funcionária do Bureau de Turismo do Tibete, em Lhasa, afirmou à BBC News que a entrada dos turistas estrangeiros já estaria ocorrendo na região.

De acordo com a Xinhua, a entrada de grupos de turistas domésticos já estava permitida desde abril.

Jornalistas

Apesar da permissão com relação aos turistas, o acesso de jornalistas à região continua extremamente limitado.

Em uma coletiva de imprensa na terça-feira, o porta-voz do Ministério do Exterior, Liu Jianchao, afirmou que "as viagens para a realização de reportagens no Tibete serão organizadas assim que possível, quando a situação no local retornar ao normal".

Os protestos começaram como uma reação à notícia de que monges budistas teriam sido presos depois de realizar uma passeata para marcar os 49 anos de um levante tibetano contra o domínio chinês, no dia 10 de março.

Vários tibetanos aderiram às manifestações. O governo chinês afirma que os manifestantes mataram pelo menos 19 pessoas, mas o governo do Tibete no exílio afirma que as forças de segurança deixaram dezenas de mortos.

Os protestos foram considerados os piores e mais violentos dos últimos 20 anos.

Na semana passada, uma autoridade chinesa afirmou que 116 pessoas continuavam presas por causa dos protestos, mas ativistas de direitos humanos afirmam que esse número pode ser ainda maior.

BBC BRASIL - 25/6/2008

sexta-feira, 20 de junho de 2008

INTERNACIONAL / Crise Imobiliária

dinheiro

FBI prende 406 por fraude no mercado imobiliário

Polícia norte-americana estima que golpes causaram prejuízo de US$ 1 bilhão.

CORREIO BRAZILIENSE

O FBI (a polícia federal americana) prendeu, ontem, 406 pessoas por participação em fraudes relacionadas ao mercado de financiamentos imobiliários dos Estados Unidos, pivô de uma crise que vem atingindo a economia mundial desde o ano passado. A operação do FBI descobriu 144 casos de fraude entre 1º de março e 18 de junho, com uma estimativa de prejuízo de US$ 1 bilhão relacionada a esses crimes.

Entre os indiciados pelo Departamento de Justiça americano há corretores e pessoas que ajudaram compradores de imóveis a conseguir empréstimos. O anúncio do FBI ocorreu no mesmo dia em que dois gerentes do banco americano de investimentos Bear Stearns foram presos sob a acusação de fraudes em dois fundos da instituição: Matthew Tannin e Ralph Cioffi são os primeiros executivos a enfrentar acusações criminais por causa da crise das hipotecas. Eles teriam omitido ou mentido sobre a saúde financeira das carteiras que administravam.

“Fraudes com empréstimos e valores imobiliários representam uma ameaça à nossa economia, à estabilidade da nação e à paz de espírito de milhões de proprietários de casas”, disse o vice-secretário americano de Justiça, Mark Filip. Segundo o FBI, a operação identificou envolvidos em três tipos de fraude: envolvendo empréstimos, esquemas de suspensão de ordens de despejo, e concordatas de organizações credoras relacionadas a financiamento de imóveis.


Petróleo O mercado norte-americano chegou a ser afetado pelo escândalo das prisões, que vem junto com prejuízos bancários bilionários, mas reagiu diante da queda no preço do petróleo, provocada por dois fatos: a China aumentou os preços do óleo diesel e da eletricidade, o que reduzirá o consumo, e a Arábia Saudita confirmou que aumentará a produção em 200 mil barris por dia. Diante disso, o preço do barril de petróleo caiu 3,5% em Nova York e em Londres, fechando em US$ 131,93 e em US$ 132 respectivamente.


A queda foi ainda mais significativa, porque os preços chegaram a US$ 137 na manhã de ontem por causa de um atentado na Nigéria, que fez o grupo Shell interromper a produção na reserva de Bonga. A Bolsa de Nova York reagiu positivamente à redução no preço do petróleo e terminou o dia em alta de 0,28%, apesar do cenário de crise bancária e de aumento da inflação.

A sessão, que transitou entre o negativo e o positivo constantemente, refletiu a incerteza dos investidores em relação à saúde da economia dos Estados Unidos, profundamente afetada pela crise dos créditos imobiliários de risco (subprimes). “O mercado esteve muito volátil”, resumiu Mace Blicksilver, analista da MarbleHead Asset Management. “A queda do petróleo, entretanto, incentivou os investidores a comprar”, afirmou.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

INTERNACIONAL / ARGENTINA


O que está por trás da crise rural argentina

BBC BRASIL

Há duas realidades por trás do conflito entre a presidente Cristina Fernández de Kirchner e os agricultores na Argentina: a tendência à monocultura e a crescente concentração de terra em poucas mãos no país.

A Argentina possui 30 milhões de hectares cultiváveis, mas, segundo admite o governo, metade desta área se dedica ao cultivo da soja.

O país é o terceiro maior produtor mundial de soja e sua economia se recuperou do colapso financeiro de 2001, em parte, graças a ela. No entanto, a oleaginosa não alimenta a população, já que 95% da produção se destina ao mercado exterior.

Em conseqüência, grãos como o milho e o trigo, que são consumidos no mercado interno, têm uma superfície cultivada cada vez menor.

Também há menos camponeses dedicados à pecuária, apesar de cada argentino consumir, em média, 70 quilos de carne bovina por ano. É que criar uma vaca consome mais tempo e investimento do que cultivar soja, cujos grãos podem ser semeados sobre os restos da colheita anterior, sem necessidade de arar o solo.

O avanço do cultivo da soja sobre outras atividades rurais se deve ao fato de a oleaginosa ter se tornado um grande negócio, tanto por causa do aumento dos preços no mercado internacional, como porque os pagamentos são feitos em dólar.

Concentração

Apesar de a Argentina estar vivendo um "auge da soja", são poucos os beneficiados, já que a produção está concentrada nas mãos de grandes latifundiários e nos chamados "pools de plantio" - conglomerados finaceiros, geralmente alheios ao campo mas que participam do negócio rural.

Na Argentina há 84 mil produtores de soja. Segundo dados oficiais, 20% deles concentram 80% do cultivo. Desses, 2,2% controlam a produção de quase metade da soja do país.

Segundo analistas, isso ocorre porque a falta de regulação levou a condutas com características de monopólio ou cartéis no campo.

Por exemplo, um "pool de plantio" tem muito mais poder de negociação do que um pequeno ou médio agricultor na hora de arrendar terras ou comprar máquinas, e consegue preços menores.

"Este equilíbrio faz que cada vez mais os autênticos produtores sejam despejados do campo e, como conseqüência, desapareçam povoados rurais inteiros", disse à BBC Eduardo Buzzi, presidente da Federação Agrária Argentina (FAA), que agrupa os pequenos agricultores.

Interesses distintos

A paralisação agrária começou depois da decisão da presidente Cristina Kirchner de aumentar os impostos para a exportação de soja e girassol de 35% para mais de 40%.

Os pequenos e médios produtores foram os protagonistas iniciais, mas os grandes proprietários e conglomerados também aderiram.

Aos primeiros, o aumento dos tributos diminui a já limitada margem de lucro, reduzida porque já não há outra opção a não ser alugar terras e comprar insumos a preço de mercado.

O aumento, no entanto, não afeta tanto os grandes proprietários, que têm alta margem de lucros e benefícios gerados pelo poder de negociação.

Por conta disso, o governo argentino decidiu diferenciar os dois grupos e reverteu o aumento para os pequenos e médios produtores. O resto, no entanto, deverá continuar pagando impostos mais altos.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

INTERNACIONAL / ARGENTINA


Ruralistas prometem novos protestos na Argentina

Marcia Carmode Buenos Aires para a BBC Brasil


Os líderes das quatro entidades do setor rural na Argentina anunciaram que vão retomar as manifestações contra o governo neste domingo. Os protestos se estenderão até a meia-noite de quarta-feira.

Em um comunicado, eles convocaram os fazendeiros a não comercializar grãos, nesse período, deixando passar, nas estradas, apenas os carros particulares e os carregamentos de leite e alimentos perecíveis.

"Desta vez, o protesto é em repúdio à repressão contra o setor", diz o texto, lido por um porta-voz diante de câmeras de televisão.

O conflito entre o setor rural e o governo da presidente Cristina Kirchner, que assumiu o poder há pouco mais de seis meses, completou 95 dias neste sábado. O desentendimento começou com o anúncio feito pelo governo argentino no início do ano de que as taxas de exportação seriam aumentadas.

Sábado tenso

A promessa de novos protestos ocorreu no fim de um dia tenso, que foi marcado por enfrentamentos entre polícia e ruralistas na província de Entre Ríos, a prisão de alguns fazendeiros e panelaços em diferentes pontos de Buenos Aires.

Na tarde de sábado, uma multidão, com maioria de classe média, caminhou batendo panelas até a Praça de Maio em frente à Casa Rosada (Presidência da República) gritando: "Argentina, Argentina".

À noite, na mesma praça, outros grupos ergueram faixas e cartazes em defesa do governo de Cristina. Pouco depois, ali estiveram quatro integrantes do governo central – entre eles, a ministra da Defesa, Nilda Garré, e o ministro do Planejamento, Julio de Vido.

Todos eles declararam apoio à Cristina e criticando os que "pretendem desestabilizar" sua gestão. A maior surpresa foi a chegada do ex-presidente Nestor Kirchner, marido de Cristina, ao local.

Ele chegou à praça tarde da noite, evitou entrevistas e se uniu aos que realizavam uma manifestação em apoio ao governo de sua esposa. A presidente não fez declarações neste sábado.

Prisões

O sábado havia começado com os policiais tentando liberar o trânsito numa estrada federal, a rodovia 14, em Entre Ríos.

Diante da resistência dos fazendeiros, quase vinte deles foram presos, entre eles Alfredo de Angelis, presidente da Federação Agrária de Gualeguaychú e hoje uma das principais vozes dos que afirmam que não desistirão do protesto enquanto o governo não revisar o aumento de impostos para exportações anunciado em março.

O ajuste gerou o conflito. Também na noite deste sábado, o chefe de Gabinete (equivalente a chefe da Casa Civil), Alberto Fernández, ao lado do ministro da Justiça, Aníbal Fernández, declarou que o aumento impositivo é "constitucional" e voltou a sinalizar que o governo não pretende modificar a medida.

"O governo quer preservar o direito de alimentar os argentinos", afirmou.
O governo argumenta que com o ajuste está dando prioridade à mesa dos argentinos. Fernández disse que os ruralistas não querem o diálogo.

Logo depois, quando divulgaram que retomariam o protesto neste domingo, os líderes ruralistas contestaram o ministro.

"Suspendemos o protesto na semana passada, e ninguém nos chamou para o diálogo. O defensor do povo, Eduardo Mondino, que tem um cargo constitucional, convocou as partes ao diálogo. Nós fomos, mas o governo não compareceu", disse Mario Llambias, presidente da Confederações Rurais Argentinas (CRA).

Os líderes do setor rural afirmaram ter, nesta nova etapa de protesto, o apoio de setores dos caminhoneiros que bloqueiam o trânsito, em diferentes pontos do país, desde a última terça-feira.

Os caminhoneiros afirmam que o protesto é em defesa do entendimento entre governo e ruralistas para que eles possam voltar a transportar grãos.

O conflito tem aumentado a preocupação com o desabastecimento no país e ainda a pressão sobre problemas que já existiam, como a inflação e a escassez de combustíveis.

Além disso, diferentes analistas afirmam que a dificuldade de entendimento pode acabar "esfriando" a economia argentina que vinha registrando taxas recordes de expansão.

INTERNACIONAL / KOSOVO


Nova constituição entra em vigor em Kosovo

BBC BRASIL

Uma nova constituição entrou em vigor em Kosovo neste domingo transferindo o poder para a maioria étnica albanesa após nove anos de administração das Nações Unidas.

A carta entrou em vigor quatro meses depois de Kosovo declarar sua independência da Sérvia, uma medida que foi apoiada por vários países ocidentais, mas sofreu oposição da Rússia e da Sérvia.

A Rússia bloqueou a entrega formal do poder das Nações Unidas para o povo de Kosovo. Já a Sérvia afirma que a constituição não é válida para o norte de Kosovo, região dominada por sérvios.

"A Sérvia não aceita a proclamação da constituição de Kosovo como um fato legal", diz o presidente sérvio, Boris Tadic, em Belgrado.

Tensão

O ministro sérvio para Kosovo, Slobodan Samardzic, é esperado na cidade dividida de Mitrovica, onde ele deve anunciar o estabelecimento de um parlamento sérvio em Kosovo, apenas com representantes sérvios.

O clima é tenso em Mitrovica, onde um atirador disparou contra uma delegacia de polícia no sábado.

Pela nova constituição, que entrou em vigor à meia-noite de domingo, o governo de Kosovo assume a maior parte do poder que estava na mão da ONU até agora.

Uma missão de 2,2 mil soldados da União Européia está sendo enviada para supervisionar a região.

Na quinta-feira, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-Moon, anunciou planos para ceder as funções da ONU em Kosovo para a União Européia, apesar de oposição da Rússia.

"Minha intenção é reconfigurar a estrutura e o perfil da presença internacional civil para uma (estrutura) que permita à União Européia assumir um papel operacional avançado em Kosovo", disse ele.

A Sérvia disse que Ban Ki-Moon não teria autoridade para reconfigurar o papel da ONU em Kosovo.

Segundo o correspondente da BBC na capital kosovar Prístina Nick Thorpe, ainda há muita confusão sobre quem exatamente vai exercer o poder local em Kosovo.

Uma cerimônia discreta e simples é esperada para a noite deste domingo, com alguns integrantes do governo. Segundo o correspondente da BBC, os líderes de origem albanesa não querem provocar a minoria sérvia.

COMÉRCIO INTERNACIONAL

Bush cobra concessões do Brasil na OMC

BBC Brasil

Bush disse que sua preocupação é de que, enquanto estão sendo alcançados progressos nas negociações sobre subsídios e tarifas agrícolas, países como o Brasil, a Índia e a China não estão fazendo aberturas correspondentes no campo da indústria e serviços.

Bush afirmou ser contra políticas protecionistas e disse estar preocupado em obter um acordo para a Rodada Doha. Segundo ele, qualquer sucesso nas negociações passam por avanços nas áreas de indústria e serviços.

As negociações no âmbito da Rodada Doha estão estagnadas há anos devido ao impasse em torno do nível de abertura em setores de interesse de países desenvolvidos e países emergentes.

Enquanto os emergentes querem maior abertura no setor agrícola de países desenvolvidos, incluindo a redução ou o fim de subsídios para o setor, o bloco dos países desenvolvidos tem pressionado para uma abertura nos setores de indústria e serviços.

A declaração foi feita depois do encontro de Bush com o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, no segundo dia de sua visita a Grã-Bretanha.

Os dois líderes ainda discutiram a questão do Iraque e do Afeganistão, Mianmar, Zimbábue e a crise do preço do petróleo e dos alimentos.

A viagem faz parte da última viagem européia de Bush antes de ele deixar a Casa Branca, em janeiro do ano que vem.

Bush veio buscar apoio europeu para novas sanções contra o Irã, para pressionar o país a abandonar o seu suposto programa de enriquecimento de urânio.

terça-feira, 13 de maio de 2008

INTERNACIONAL/ China

Número de mortos em terremoto na China chega a 12 mil
BBC Brasil

O terremoto mais forte a atingir a China nos últimos 30 anos matou pelo menos 12 mil pessoas na província de Sichuan, no sudoeste da China, na segunda-feira.

De acordo com a agência de notícias oficial do país, a Xinhua, o primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, convocou uma reunião de emergência e ordenou a retirada das barreiras e abertura das estradas para a província antes do início da tarde desta terça-feira.

As linhas telefônicas da região ainda não estão funcionando e as estradas estão bloqueadas por rochas que desabaram com o terremoto e, segundo o correspondente da BBC Michael Bristow, as chuvas torrenciais também prejudicam o resgate.

"Devemos tentar fazer o máximo para abrir as estradas para o (local do) epicentro (do terremoto) e resgatar as pessoas nas áreas atingidas pelo desastre", disse Jiabao.


O terremoto de 7,8 pontos na escala Richter foi registrado às 14h28 (3h28 de Brasília), teve seu epicentro próximo da cidade Wenchuan, a cerca de 100 quilômetros a noroeste de Chengdu.
Wen Jiabao foi às pressas à cidade de Dujiangyan, que fica a cerca de cem quilômetros do epicentro do terremoto.

"No momento temos muita dificuldade para realizar os trabalhos de resgate", disse o premiê chinês. "Estradas bloqueadas, comunicações interrompidas e a chuva contínua criaram obstáculos."

"As vidas das pessoas e a segurança das propriedades são as prioridades e muitos ainda estão presos nos escombros. Temos que usar cada segundo e fazer o máximo para salvar os sobreviventes", acrescentou Jiabao.

Apenas em Dujiangyan 900 estudantes foram soterrados pelos escombros da escola onde estavam no momento do terremoto e pelo menos 50 morreram.

Soldados

Segundo a agência de notícias Xinhua mais de 16 mil soldados chineses se juntaram às operações de resgate na província de Sichuan.

Outros 34 mil membros das forças armadas dos comandos militares de Jinan e Chengdu estão avançando em direção às regiões de desastre em aviões, trens, caminhões e a pé.

O governo também enviará 20 aviões militares para transportar as forças armadas e a polícia.
Ainda de acordo com a Xinhua, na manhã de terça-feira uma equipe de 227 médicos do setor militar da China e sismologistas chegou à cidade de Dujiangyan.

O número de mortos deve aumentar ainda mais quando as equipes conseguirem fazer contato com o epicentro do tremor, em Wenchuan, que tem uma população de 111,8 mil habitantes e é famosa por abrigar um centro de reprodução ursos panda gigantes.

Uma autoridade da cidade, Wang Bin, pediu ajuda por meio de um telefone via satélite.
"Precisamos urgentemente de barracas, alimentos, remédios e equipamentos de comunicação", afirmou. "Também precisamos de funcionários médicos para salvar as pessoas feridas."

Prédios destruídos

Apenas em um condado, Beichuan Qiang, onde estima-se que até 80% das construções foram destruídas, o número de mortos está entre 3 e 5 mil pessoas.

Em Shifang, duas fábricas de químicos desmoronaram e centenas de pessoas estão presas nos escombros. Cerca de 80 toneladas de material corrosivo vazaram e 6 mil pessoas tiveram de ser evacuadas e, segundo a Xinhua, 600 pessoas morreram.

O terremoto desta segunda-feira chegou a 7,8 pontos na escala Richter e foi o pior a atingir a China nos últimos 30 anos.

A última vez que um abalo dessa magnitude foi registrado na China foi em julho de 1976, quando um terremoto destruiu a cidade de Tangshan, no norte do país, e matou pelo menos 242 mil pessoas.

O terremoto também foi sentido em Pequim, Xangai e alguns lugares de Hong Kong.
O último terremoto a afetar a China foi registrado em 21 de março e alcançou 7,2 graus na escala Richter, atingindo a região de Xinjiang. Mas o abalo causou pouca destruição em comparação com o terremoto da segunda-feira.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

INTERNACIONAL/ Mianmar

Avião com ajuda humanitária para Mianmar demorará dias para chegar

da Efe, em Genebrada
Folha Online

O avião com 25 toneladas de suprimentos da ajuda humanitária da ONU para as vítimas do ciclone Nargis em Mianmar, cujo recebimento foi autorizado pelo governo local, ainda demorará vários dias para decolar da cidade italiana de Brindisi, tempo em que toda a sua logística será preparada.

A informação foi divulgada pela porta-voz do Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU (Ocha, na sigla em inglês), Elizabeth Byrs, que desmentiu que a aeronave partirá nesta quarta-feira da base logística do organismo.

"É o procedimento normal. Tudo isto leva tempo. É preciso encontrar um bom avião, que se adeqüe à pista onde deverá aterrissar em Mianmar, a carga deve ser preparada e montada, é necessário fazer todos os trâmites", disse Byrs.

A porta-voz afirmou que o atraso não se deve a impedimentos impostos pelo governo militar birmanês, que deu sinal verde para a chegada da ajuda, após uma reunião realizada na terça-feira com representantes da Ocha em Nova York.

Byrs ressaltou que a autorização da Junta birmanesa inclui a viagem de uma pequena equipe da Ocha no avião para acompanhar a carga.

O carregamento, que sairá de um depósito da ONU em Brindisi, na Itália, incluirá tendas, tabletes de purificação de água, geradores, lençóis de plástico, jogos de cozinha e cobertores para os sobreviventes do ciclone que, além dos 22,5 mil mortos, deixou 41 mil desaparecidos e 1 milhão de desabrigados.

Ajuda internacional

Também nesta quarta-feira, a França defendeu que o Conselho de Segurança da ONU obrigue as autoridades de Mianmar a aceitarem ajuda internacional para as vítimas do ciclone.

O ministro de Exteriores da França, Bernard Kouchner, afirmou que seu país estuda se, em virtude da "responsabilidade de proteger", pode haver uma resolução das Nações Unidas que "imponha" ao Governo birmanês a chegada da ajuda.

O conceito de "responsabilidade de proteger", aceito pela ONU, permite socorrer a população civil caso as autoridades nacionais não façam isto, embora isto represente uma violação da soberania, declarou.

A responsabilidade de proteger é a tradução do dever de ingerência humanitária, declarou Kouchner, que foi um dos fundadores de ONGs como os Médicos Sem Fronteiras e os Médicos do Mundo.

O ministro de Exteriores disse algumas horas antes, após o Conselho de ministros, que "se existe uma catástrofe na catástrofe, são as autoridades birmanesas".

"O que fazemos é insistir várias vezes para ter acesso", declarou, e disse que há navios franceses, britânicos e indianos com helicópteros diante da foz do rio Irrawaddy, que poderiam chegar à região atingida em algumas horas para levar água, remédios e alimentos para as vítimas do ciclone, mas que a junta militar no poder em Yangun não deu permissão para uma ação.

Apesar de autorizar o vôo para a entrega de itens de emergência, a porta-voz do Ocha afirmou que cinco membros da ONU especializados em administração de desastres que estão na Tailândia ainda não receberam vistos que permitem a entrada em Mianmar.

Outras agências de ajuda humanitária também estão esperando vistos que permitam a entrada no país, que faz fronteira com a China, Índia, Bangladesh, Laos e Tailândia.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

INTERNACIONAL / ONU

Cai distância entre países ricos e pobres,
aponta relatório da ONU

da Agência Brasil,
Ganacom Folha Online

O abismo entre os níveis de riqueza dos países desenvolvidos e em desenvolvimento está um pouco menor. A distância, que era de 20 para 1 em 1990, caiu para uma proporção de 16 para 1 em 2006. A conclusão consta de relatório da Unctad (Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento) sobre os efeitos da globalização no desenvolvimento.
O documento foi divulgado na 12ª Unctad, que será encerrada hoje em Acra (Gana).
Na avaliação da Unctad, a brecha entre ricos e pobres diminuiu devido ao rápido crescimento econômico registrado desde 2002 pelos países em desenvolvimento e em transição.

Apenas entre 2003 e 2006, o PIB (Produto Interno Bruto) per capita cresceu 3,7% na América Latina e Caribe (4,3% apenas na América do Sul), 3% na África e 6,2% na Ásia. Nas economias em transição, o aumento foi de 9,7% entre os asiáticos, e de 7,3% entre os europeus. Nos países desenvolvidos, a média foi de 1,9%.

Embora ainda muito desequilibrada, a participação no PIB mundial também mudou nas últimas décadas. Segundo a Unctad, os países desenvolvidos --que representam apenas 16% da população mundial-- produziram 73% do PIB nominal de 2006. Em1980, essa participação era de 80%.

A fatia dos países em desenvolvimento nas exportações mundiais chegou a 36% em 2006, totalizando US$ 3,7 trilhões.

O comércio Sul-Sul, defendido pelo Brasil, triplicou entre 1995 e 2005, embora os países mais pobres continuem dependendo de exportações de produtos básicos de baixo valor agregado. O maior volume de comércio foi registrado pelos países asiáticos, que alcançaram US$ 1,69 trilhões nas trocas intra-Ásia e com outras regiões do sul do Planeta (cerca de US$ 100 bilhões em trocas com a América Latina).

"Considera-se que hoje são os maiores países em desenvolvimento, com crescimento mais rápido, que estabilizam a economia mundial devido ao dinamismo e abertura", afirma o secretário-geral da Unctad, Supchai Panitchpakdi, ex diretor-geral da OMC (Organização Mundial do Comércio).

Como muitos países em desenvolvimento obtiveram déficit em conta corrente, eles se tornaram importantes provedores de capital para o resto do mundo, conclui Supachai.

INTERNACIONAL / Palestina

Milhares de palestinos pedem fim do bloqueio israelense à faixa de Gaza

Carregando bandeiras do Hamas, milhares de palestinos que apóiam o grupo extremista islâmico protestaram nesta sexta-feira contra o bloqueio israelense à faixa de Gaza. A manifestação teria sido convocada pelo próprio Hamas, que controla a região desde junho de 2007.

De acordo com a agência de notícias Associated Press, cerca de 5.000 manifestantes se reuniram a várias centenas de metros da passagem de Erez, na fronteira com Israel. Os organizadores impediram que os manifestantes se aproximassem muito da passagem para evitar que fossem atacados pelo Exército israelense.

Ainda segundo a AP, outros cerca de 2.000 se reuniram na passagem de Rafah, na fronteira com o Egito. Além de bandeiras do Hamas, eles também carregavam bandeiras palestinas.

O governo egípcio enviou reforço de cerca de 300 a 400 policiais para a fronteira na tentativa de impedir a entrada de palestinos no país, segundo fontes de segurança que não tiveram seus nomes divulgados pela Reuters. "O reforço da segurança ocorre como medida de precaução, para evitar qualquer operação por parte do lado palestino no sentindo de invadir o território egípcio", disse uma das fontes, pedindo anonimato.

Em janeiro, militantes palestinos explodiram a cerca da fronteira, permitindo que milhares de pessoas entrassem no Egito durante dez dias para estocar comida e combustível --burlando assim o bloqueio-- antes que a passagem fosse novamente fechada.

O cerco israelense teve início em junho de 2007, quando o Hamas tomou o controle da faixa de Gaza após seis dias de combates contra as forças leais ao presidente da ANP (Autoridade Nacional Palestina) e líder do Fatah, Mahmoud Abbas.

O protesto desta sexta-feira percorreu a estrada Salahadeen, que liga norte e sul da faixa de Gaza, um dia depois que a UNRWA (agência da ONU para ajuda aos refugiados palestinos) anunciou a suspensão da ajuda humanitária a mais da metade da população do território por causa da falta de gasolina originada com o bloqueio israelense.

Suspensão

Nesta quinta-feira (24), a UNRWA suspendeu o envio de alimentos à faixa de Gaza após ficar sem combustível. Em um comunicado, a agência disse que foi obrigada a "suspender a ajuda humanitária a mais da metade da população de Gaza devido a uma crise de gasolina".

Mahmoud al Khuzundar, da Associação dos Proprietários de Postos de Combustível na faixa de Gaza, disse ontem que 50 mil litros de diesel seriam entregues para a UNRWA para ajudar na distribuição de suprimentos. Mas um grupo de agricultores de Gaza que queria a distribuição de combustível fosse aberta bloqueou o veículo que transportava o combustível antes que ele
alcançasse o terminal para ser distribuído.

No dia anterior, o chefe de operações da UNRWA em Gaza, John Ging, advertiu que o combustível acabaria e que não poderia continuar com as atividades que precisavam de transporte rodoviário se Israel não retomasse o fornecimento regular de combustível.

O número de pessoas que ficarão sem assistência básica é de, ao menos, cerca de 650 mil pessoas, segundo a agência de notícias France Presse. A Reuters estima em 700 mil o número de palestinos sem ajuda alimentícia.

Israel é o único abastecedor de combustível a Gaza, mas interrompeu os envios no dia 9 depois que militantes palestinos mataram dois israelenses em um ataque na passagem fronteiriça de Nahal Oz, um dos pontos de entrada de combustível.

Nesta sexta-feira, a ONU fez um alerta sobre as conseqüências negativas para o processo de paz israelo-palestino da falta de combustível na faixa de Gaza. "Quando as pessoas estão famintas e revoltadas, isto não serve nem à paz nem aos interesses em termos de segurança de Israel", afirmou à France Presse Chris Gunness, porta-voz da UNRWA. "Há um processo de paz em curso e isto não ajuda nada", acrescentou.

Crise

Em outubro, o governo israelense já havia aprovado reduzir parcialmente o fluxo de combustível derivado de petróleo e eletricidade a Gaza após declarar a faixa "território inimigo".

Funcionários palestinos advertiram na quarta-feira (23) de que a principal usina de eletricidade de Gaza pararia de funcionar por falta de combustível. Por isso, as autoridades israelenses autorizaram a entrada de 1 milhão de litros, o que permitirá à fábrica funcionar por ao menos três dias.

No entanto, a entrada de gás, gasolina ou outro tipo de combustível para o transporte ou consumo interno continua suspensa.

Apelo

O comissário europeu para o Desenvolvimento e a Ajuda Humanitária, Louis Michel, fez nesta quinta-feira um apelo a Israel para que garanta a provisão de combustível a Gaza. Ele afirmou que 'é inaceitável que a ONU tenha que considerar a suspensão de suas operações humanitárias só porque falta combustível para seus veículos'.

"É essencial que se restaure a provisão de combustível a Gaza e, em particular, deve ser garantido imediatamente o combustível voltado às agências das Nações Unidas e aos serviços básicos".

INTERNACIONAL / Japão

25/04/2008 - 14h49

Japão anuncia US$ 100 milhões para diminuir efeitos da alta de alimentos

Folha Online
da Agência Brasil, em Acra (Gana)

A exemplo do que fez o Reino Unido, o Japão anunciou nesta sexta-feira que aplicará US$ 100 milhões em ações concentradas nos próximos três meses para amenizar os efeitos da elevação mundial dos preços dos alimentos. Desse total, US$ 50 milhões serão direcionados já no mês que vem a países africanos, por meio do Programa Mundial de Alimentos (PMA) da ONU (Organização das Nações Unidas).

Segundo comunicado do Ministério de Relações Exteriores do Japão, que circulou hoje na 12ª Unctad (Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento), a ajuda atende a apelo emergencial do PMA.

De acordo com o comunicado, o Japão já havia contribuído com US$ 68 milhões para o programa da ONU em 2008. Em 2007, o país destinou US$ 119 milhões ao fundo, ficando em quinto no ranking de doadores.

Além da ajuda financeira, o país asiático decidiu incluir o boom das commodities (mercadorias de cotação internacional) entre os temas da próxima reunião do G8 (grupo dos sete países mais industrializados do mundo e Rússia), que será realizada entre 7 e 9 de julho em Hokkaido Toyako.

Na última terça-feira (22), o Reino Unido anunciou US$ 980 milhões para atacar a disparada dos preços mundiais do alimentos com ações de curto e longo prazos

sábado, 12 de abril de 2008

INTERNACIONAL / Eleição Paraguai

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ELEIÇÕES PARAGUAIAS

Apesar das preocupações da oposição e dos observadores internacionais, registradas durante a semana, os três principais candidatos à presidência no Paraguai afirmaram neste domingo de eleições que vão respeitar o resultado eleitoral, seja ele qual for.

“Hoje é um dia histórico, um dia democrático que temos que respeitar”, disse o candidato e ex-bispo da Igreja Católica Fernando Lugo, da Aliança Patriótica para a Mudança (APC, na sigla em espanhol), pouco depois de votar acompanhado por Frei Beto.

“Hoje é um dia especial, no qual graças à democracia, somos todos iguais. (...) E essa democracia deve ser respeitada”, declarou a candidata do governo Blanca Ovelar, do Partido Colorado.

Os jornalistas locais voltaram a perguntar a Ovelar sobre a legitimidade de sua candidatura, questionada pelo ex-vice-presidente da República, Luis Castiglioni, que disse ter sido derrotado por fraude na interna do partido que está há 61 anos, ininterruptos, no poder.

“Reitero, venci de forma legitima”, afirmou Ovelar.

O general da reserva Lino Oviedo, do UNACE (União Nacional de Cidadãos Éticos), pediu aos eleitores que votem e recebam o resultado com a “paciência paraguaia”.

Recontagem

Mas apesar destas declarações dos presidenciáveis, o vice-presidente do Tribunal Superior de Justiça Eleitoral (TSJE), Juan Manuel Morales, não descartou que representantes da candidatura de Lugo, favorito, segundo pesquisas de opinião, peçam a recontagem dos votos.

Quase cinco horas após a abertura das urnas, às sete da manhã, foram registrados incidentes isolados.

Um jovem foi preso com um punhal no colégio República Dominicana de Fernando de La Mora, em Assunção, onde Lugo acompanhava a votação de seu candidato a vice, Federico Franco.

Segundo o jornal Última Hora, em sua edição online, o jovem teria alegado que estava armado para “defender o ex-bispo dos insultos dos colorados”, os seguidores do Partido Colorado.

Ali, alguns eleitores vaiaram o presidenciável. “As vaias dos colorados fazem parte do processo democrático”, disse Lugo.

Na noite da véspera, eleitores “colorados” entraram numa igreja, onde era realizada uma missa, e gritaram contra seguidores do ex-bispo.

Neste domingo, após votar às sete da manha, Lugo participou de uma missa, acompanhado de Frei Beto.

“Somos amigos, comungamos as mesmas teses e convicções (...). Acho que a relação Lugo-Lula será excelente”, disse Frei Beto.

Quando perguntado sobre uma das principais propostas de Lugo, de revisão do tratado da hidrelétrica binacional de Itaipu, ele respondeu que apóia a iniciativa do paraguaio.

“Claro, porque é um tratado assinado durante ditaduras e o preço é injusto. Então, acho que deve ser renegociado”.

As urnas foram abertas às sete da manhã, mas com atrasos em alguns pontos de votação, como no colégio Alvarim Romero, no bairro de Villa Mora, onde votou Oviedo.

A previsão é de que a votação terminará às 16h no horário local e que os primeiros resultados deverão ser divulgados depois das 20h (21hs no horário de Brasília).

INTERNACIONAL / Argentina


Le Monde Brasil - 17/4/2008

Sexta-Feira, 11 Abril 2008


Queda queda-de-braços entre o governo da Argentina e os grandes proprietários de terras mostra que é, sim, possível redistribuir os lucros do agronegócio

(Por Marília Arantes, da Redação)

No último mês de março, colunas de ruralistas argentinos seguiram rumo a Buenos Aires. A mobilização buscava obrigar a presidente Cristina Kirchner a voltar atrás de uma decisão tomada em 11/3, quando foram elevadas as alíquotas do imposto sobre a exportação de produtos agrícolas. Em parte, conseguiu resultados. Três semanas de protestos (que incluíram corte do abastecimento alimentício à capital, por meio de bloqueio das estradas por caminhões), deixaram a capital federal desabastecida e caótica, fazendo sofrer os portenhos. Setores da população, sensibilizados contra o que a maior parte da mídia chamou de “confisco” contra os produtores agrícolas, aderiram. Contudo, no último 2/4, a situação foi normalizada.


Ao fazer concessões aos pequenos produtores, Cristina isolou os grandes ruralistas. Novas mobilizações, em favor das medidas da presidente, superaram as contrárias. Os tributos sobre as exportações continuam valendo. Na Argentina, ao menos uma parte dos ganhos extraordinários obtidos pelos proprietários de terras, com a alta internacional das matérias-primas, é redistribuída por meio de impostos.


Os fatos ajudam a jogar luz sobre novas relações econômicas e políticas, em países que são (como o Brasil) fortes produtores agrícolas. A reporter Stella Spinelli conta, no site Peace Reporter, (ler também em nosso clip) que as exportações de grãos da Argentina – para a velha Europa e agora também para China, Índia e Sudoeste da Ásia, onde o consumo de alimentos cresce sem parar – chegaram a 13 bilhões de dólares anuais. As grandes plantações de milho, girassol e principalmente de soja transgênica invadiram o interior do país, tomando espaço da criação de gado e de culturas tradicionais, como o trigo e o algodão.


Além disto, 80% dos lucros do agronegócio ficam nas mãos dos grandes proprietários. Somente 2% dos produtores concentram a propriedade de 55% da terra cultivada para os fins de exportação, em uma média de 15 mil hectares cada fazenda. Estão associados a gigantes mundiais do processamento e comércio de produtos agrícolas, como Bunge, Dreyfus e Cargill
É justo que tão poucos enriqueçam com a nova conjuntura?

A quem pertencem a água que irriga as lavouras, ou a luz que as alimenta: aos que já monopolizam a terra? Desde 2002, o governo argentino criou um tributo – denominado taxa de retenção – sobre o valor das exportações agrícolas. A alíquota foi elevada para 35% na presidência de Nestor Kirchner. Ainda assim, os preços internacionais são tão apetitosos que as vendas ao exterior continuaram crescendo – a ponto de provocar desabastecimento interno. A nova elevação do imposto (agora para 44%, no caso da soja) visou, também, enfrentar este problema.


O país ganha: entre outras ações, a receita tem servido para financiar a produção de milho e trigo, consumidos no mercado interno e cultivados, em geral, por pequenos produtores. Os exportadores não perdem, como mostra artigo publicado em 8 de abril pelo ex-ministro da Fazenda brasileiro Luiz Carlos Bresser Pereira, insuspeito de esquerdismo (ler no clip).
A reação à medida de Cristina é principalmente ideológica: os grandes produtores não suportam a idéia de distribuir o que julgam “seu”. Em sua grita, souberam mobilizar parte dos pequenos – muito mais numerosos, e também obrigados ao tributo.


Cristina cede aos pequenos produtores e isola a “oligarquia rural”


Para enfrentar o que chama de oligarquia rural, a presidente fez concessões aos menores, apresentadas num pacote de sete medidas, no início de abril. Entre outros benefícios, o Estado restituirá automaticamente, a quem exporta até 50 toneladas anuais, parte do valor arrecadado com a nova alíquota. Também participará com 50% do preço do frete até o porto, quando a distância percorrida for superior a 400 quilômetros. Foi o que isolou, ao menos até o momento, os grandes ruralistas – que contam com enorme apoio no Legislativo, na mídia, no próprio aparato do Estado.


É uma pena que o conflito argentino seja tratado, no Brasil, sem a profundidade necessária. O país caminha para se tornar o maior exportador agrícola mundial. As exportações agrícolas (e de minérios) foram as principais responsáveis pelos expressivos saldos comerciais dos últimos anos. Mas esta “eficiência” tem sido alcançada com enorme concentração da propriedade, condições de trabalho desumanas e ataque permanente aos principais ecossistemas do país (em especial, o cerrado e a Amazônia).

A adoção bem-sucedida, no país vizinho, de um imposto sobre as exportações revela que é perfeitamente possível rever, aqui, o modelo de favorecimento ao agronegócio e adotar políticas que distribuam de forma mais eqüânime os benefícios de nossa potencialidade agrícola

INTERNACIONAL / BRIC

Brasil tem pior crescimento de exportações entre Brics, diz OMC

da Folha Online 17/4/2008
da Efe e da France Presse, em Genebra


O Brasil teve o pior crescimento das exportações em 2007 ante os países emergentes, informou nesta quinta-feira a OMC (Organização Mundial do Comércio) em suas perspectivas para o comércio mundial em 2008.


A OMC ainda informou no documento que as economias em desenvolvimento e em transição são as que estão amortecendo a desaceleração do comércio mundial. Para 2008, a entidade estimou crescimento de apenas 4,5% do comércio mundial --contra 5,5% em 2007 (dados preliminares) e 8,5% em 2006, segundo o informe.

Segundo o órgão, as exportações brasileiras cresceram 17% no ano passado --o mesmo índice obtido pela Rússia. Já as exportações chinesas cresceram 26%, e as indianas subiram 20%.

O Brasil ocupou no ano passado a 23ª posição no ranking de maiores exportadores, com US$ 161 bilhões --cerca de 1,2% das exportações mundiais. É um desempenho superior ao da Índia (US$ 145 bilhões), mas inferior ao da China (US$ 1,218 trilhão) e ao da Rússia (US$ 355 bilhões).

O desempenho brasileiro nas exportações também está abaixo da média dos países que formam o Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai), que atingiu 18%, mas é superior à média dos países da América do Sul e Central (15%).

Por outro lado, o país é o 27º maior importador, com compras de US$ 127 bilhões (0,9% do total mundial).

Mundo

Sobre o comércio global, a OMC advertiu que se as turbulências nos mercados financeiros continuarem e as economias desenvolvidas tiverem uma desaceleração mais pronunciada, o crescimento do comércio pode ser "significativamente menos de 4,5% antecipado". Neste ano, a taxa de crescimento dependerá de quanto durarem as turbulências financeiras nos países desenvolvidos.

A OMC ponderou, no entanto, que a taxa poderia ser ainda menor "já que a forte desaceleração econômica que estão experimentando importantes países desenvolvidos tem sido compensada, em parte, pela continuação de um vigoroso crescimento das economias emergentes", afirma o estudo.

O enfraquecimento da demanda nas economias desenvolvidas em 2007 reduziu o crescimento econômico mundial de 3,7% para 3,4%. Por outro lado, nas regiões emergentes o crescimento foi próximo de 7%.

Apesar da forte desaceleração nos países desenvolvidos, as economias em desenvolvimento e a CEI (Comunidade dos Estados Independentes) mantiveram ou aumentaram a expansão da produção, aportando em 2007 mais de 40% do aumento mundial da produção.

No ano passado, a participação dos países em desenvolvimento no comércio mundial de mercadorias alcançou um novo recorde de 34%. "O brusco aumento dos preços das matérias-primas --particularmente combustíveis e metais-- se traduziu em uma importante melhora da situação financeira da maioria das regiões em desenvolvimento e impulsionou as importações."

Por outra parte, os economistas da instituição internacional advertem que as turbulências financeiras nos países desenvolvidos "têm dificultado as perspectivas do comércio mundial em 2008".

INTERNACIONAL / Países em desenvolvimento

Emergentes são 41% da produção mundial, diz Bird

BBC Brasil - 12/4/2008

Os países em desenvolvimento representaram 41% da produção mundial em 2006, segundo dados divulgados nesta sexta-feira pelo Banco Mundial. Em 1995, as economias em desenvolvimento representavam 25% da produção global.

Segundo o relatório Indicadores de Desenvolvimento do Mundo 2008, cinco das 12 maiores economias do mundo são países em desenvolvimento, considerando-se a riqueza das nações em relação ao poder de compra do consumidor.

A América Latina e o Caribe foi a única das regiões de países em desenvolvimento que teve sua participação na produção mundial reduzida – de 9%, em 1995, para 8%, em 2006.

Apesar de fazer parte da única região analisada cuja produção não aumentou, o Brasil é destacado no relatório como um país com potencial para expandir ainda mais a sua participação na produção mundial.

"Na medida em que a integração global continua, países em desenvolvimento têm grandes chances de expandir a sua fatia na economia mundial, especialmente centros regionais com grandes populações e bases econômicas significativas, como Brasil, China, Índia, Rússia e África do Sul", afirma o relatório.

A região do Leste Asiático e Pacífico mais que duplicou a sua produção e hoje já representa 14% da economia mundial. A China já é considerada a segunda maior economia do mundo.

Outras regiões consideradas em desenvolvimento pelo Banco Mundial são Europa e Ásia Central, Oriente Médio e Norte da África, Sul da Ásia, e África Subsaariana.

Desde 1995, a produção mundial cresceu quase 50%, atingindo US$ 58,6 trilhões em 2006.

O Banco Mundial compila dados de 146 países para o relatório.

terça-feira, 1 de abril de 2008

INTERNACIONAL / G8

***
G8 diz que o nervosismo econômico
não afetará ajuda a
países pobres
Correio Web
Da France Presse

05/04/2008
Os países industrializados do G8 concordaram neste sábado em transmitir uma mensagem clara de apoio ao crescimento nos países pobres e se comprometeram em cumprir com suas próprias metas de ajuda ao desenvolvimento, apesar do nervosismo econômico internacional.
Ministros e altos dirigentes de programas de desenvolvimento do G8 iniciaram um encontro de dois dias na capital japonesa, durante o qual se encontrarão com seus pares do Brasil, México, China e Índia, para tratar de possíveis formas de ajuda ao desenvolvimento na África. Apoiar o desenvolvimento e a independência dos países pobres e, em particular, na África, foi o principal tema de análise do encontro neste sábado.
Os países do G8 - Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Itália, Japão e Rússia - têm previsto anunciar neste domingo as principais linhas de seu compromisso para reunir fundos para o desenvolvimento. Os países pobres começaram a se mobilizar ante o temor de que a morosidade econômica internacional provoque uma queda do nível de ajuda.
"Não podemos deixar que os problemas da economia internacional e de cada país nos façam desistir de nossos compromissos com o desenvolvimento", declarou o mexicano Angel Gurría, secretário-geral da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). Esse encontro entre o G8 e os países emergentes estabelecerá as bases para a próxima cúpula dos Oito em Toyako (norte do Japão), em julho. Os especialistas insistirão na necessidade de investir mais na agricultura para tentar reduzir a escassez de alimentos.
No encontro deste fim de semana, os países do G8 também reclamarão mais transparência nas políticas de ajuda dos novos doadores. Das nações emergentes será exigido "atuar de forma mais responsável em relação à boa governabilidade, a manutenção da ajuda e a consideração da democratização. A organização humanitária Oxfam lamentou que os países ricos tenham quebrado suas promessas de aumentar a assistência aos países em desenvolvimento. "Há uma falta de direcionamento na concessão necessária de financiamento aos países pobres", declarou Jeremy Hobbs, da Oxfam Internacional, fazendo um apelo aos "Oito Grandes" para que reajam com urgência na cúpula de Toyako.

INTERNACIONAL / Venezuela

Chávez unifica polícias para enfrentar criminalidade

CLAUDIA JARDIM
da BBC, em Caracas

Pressionado pelos altos índices de criminalidade, o governo da Venezuela vai promulgar nesta terça-feira o Sistema Nacional de Polícia, resultado de um processo de reforma policial realizado no ano passado que pretende atenuar o principal motivo de preocupação dos venezuelanos: a violência.

O novo sistema prevê a constituição de uma Polícia Nacional "preventiva e humanista", de acordo com o governo, que deverá substituir os corpos de segurança estatais, municipais, federais e de inteligência existentes atualmente.

"É necessário acabar com esse desmembramento da polícia em distintos corpos, uniformes, salários, armas de guerra e procedimentos, como se fôssemos 20 países dentro de um só", disse o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que após perder o referendo de dezembro passado prometeu realizar uma gestão mais eficiente, tendo a segurança como uma de suas prioridades.
De acordo com a nova lei, a Polícia Nacional também deverá assumir características de polícia comunitária e promover a participação dos cidadãos em uma tentativa de reduzir o número de delitos e homicídios.

Insegurança

A demanda não é pouca. De acordo com o instituto de pesquisas Hinterlaces, 79% dos venezuelanos consideram a insegurança o principal problema do país.

Para a oposição, o governo tem sido negligente no combate à criminalidade.

De acordo com um levantamento do Centro para a Paz e Direitos Humanos da Universidade Central da Venezuela, publicado no relatório 2007 do Programa Venezuelano de Educação-Ação em Direitos Humanos (Provea), quando Hugo Chávez venceu as eleições presidenciais, em 1998, o índice de homicídios era de 25 assassinatos por 100 mil habitantes.

Após nove anos de governo, o número subiu para uma média de 45 mortos por 100 mil pessoas em 2007, com cerca de 13 mil assassinatos no mesmo período. No Brasil o índice é de 23 mortos por 100 mil habitantes.

O relatório do Provea gerou controvérsias. O ex-vice-presidente José Vicente Rangel admitiu que a insegurança é um dos problemas enfrentados pelo governo, mas disse não acreditar nos números do Provea.

"Estes números estão superestimados e contam com uma manipulação política. As cifras reais são inferiores", afirmou Rangel à BBC, sem apresentar outros indicadores.

O Ministério de Interior e Justiça anunciou que o número de homicídios foi reduzido em 60% nos últimos meses, a partir da implementação do Plano de Segurança lançado em janeiro, orientado basicamente para a proteção civil.

Pobreza

Para o presidente venezuelano, a violência é conseqüência direta da exclusão social. Mas enquanto o governo anunciava a redução dos índices de pobreza, paralelamente crescia o número de delitos.

A pesquisadora Josbelk González, do Centro para a Paz, afirma que é um erro relacionar o grau de pobreza aos números de criminalidade. "O social é muito importante, mas não podemos esperar que uma intervenção de sucesso no social automaticamente dê como resultado uma diminuição nos índices de criminalidade e homicídios", diz González.

Para a pesquisadora, o aumento dos índices de violência está relacionado com a impunidade e a ausência do Estado como juiz na solução de conflitos.

"A falta do Estado como árbitro nas relações sociais, o acesso precário à Justiça e a impunidade são algumas das causas do crescimento da violência", afirma.

Ausência

Assim como ocorre em favelas do Rio de Janeiro, na periferia de Caracas é comum que após um enfrentamento entre grupos, geralmente ligados à venda de drogas, se estabeleça um toque de recolher.

A polícia na periferia também é malvista, geralmente associada à repressão, e muitas vezes tão temida como a recente presença de grupos de paramilitares, cada vez mais freqüentes nos barrios (favelas), de acordo com o Provea.

"Nossa proteção somos nós mesmos que fazemos, ninguém aqui acredita na Justiça", diz o motoqueiro Anibal Gil, 38, morador do bairro de La Vega, no oeste da capital.

Gil afirma que há anos se transformou no "policial" de sua família. Ele conta que há sete anos um de seus três irmãos foi morto. "Tenho uma arma, não desfilo com ela, mas é preciso ter. No caso de uma emergência temos que sobreviver", diz.

Armas

Atualmente, cerca de 5 milhões de armas de fogo estão distribuídas entre a população venezuelana, das quais apenas 1,5 milhão estão legalizadas.

Josbelk González, do Centro para a Paz, prefere esperar os resultados do novo Sistema Nacional de Polícia para fazer uma avaliação, mas afirma que "a iniciativa não é a solução para o problema, e sim um primeiro passo".

O morador de La Vega vê com cautela a reforma policial. A seu ver, o programa só será eficiente se "cortar o mal pela raiz".

"O governo tem que pagar bem o policial para eliminar a corrupção e treiná-lo psicologicamente para entender que se está lidando com gente", diz Gil.

A outra saída, para Gil, está no social. "É preciso dar educação associada a uma oportunidade digna de trabalho e lazer. Se não, a meninada vai escolher o caminho mais curto para sobreviver."